Tomada de posição comum
A luta pelo comunismo autêntico, ou seja, por uma sociedade sem classes, sem miséria e sem guerras, volta a suscitar um interesse crescente por parte de minorias do mundo inteiro. Como testemunho disto, em março de 2009, por iniciativa da CCI — Corrente Comunista Internacional; e da OPOP – Oposição Operária foi celebrado na America do Sul um Encontro de discussão internacionalista no qual participaram diferentes grupos, círculos e indivíduos da America Latina que se situam claramente sobre as posições internacionalistas e proletárias.
Além da CCI e da OPOP, participaram os grupos :
· Grupo de Luta Proletária (Peru),
· Anarres (Brasil),
· Liga pela Emancipação da Classe Trabalhadora (Costa Rica e Nicarágua),
· Núcleo de Discussão Internacionalista da República Dominicana
· Grupo de Discussão Internacionalista do Equador.
Camaradas do Peru e do Brasil também participaram do encontro. Outros camaradas de outros países manifestaram a sua intenção em participar, porém, não puderam fazê-lo por razões materiais ou administrativas.
Todos os participantes se reconhecem nos critérios que resumimos a seguir e que, em linhas gerais, haviam servido igualmente para a celebração da conferência dos grupos da Esquerda Comunista dos anos 1970 e 1980:
1) Reclama-se o caráter proletário da Revolução de outubro de 1917 e da IC comunista, submetendo essas experiências a um balanço crítico que orientem novas tentativas revolucionárias do proletariado.
2) Rechaçar sem reservas a idéia de que hoje existam no mundo países com regimes socialistas e com governo operário, mesmo que sejam qualificados como “degenerados”; rechaçar de igual maneira qualquer forma de governo capitalista de Estado, tais como aqueles que se sustentam sob a ideologia do ″socialismo do século XXI″.
3) Denunciar a todos os Partidos Socialistas e os Partidos Comunistas e todos seus acólitos como partidos do capital.
4) Rechaçar categoricamente a democracia burguesa, o Parlamentarismo, e os processos eleitorais, armas com as quais a burguesia tem logrado reiteradas vezes enquadrar e desviar as lutas proletárias: eleger entre democracia e ditadura, fascismo e antifascismo.
5) Defender a necessidade de que os revolucionários internacionalistas avancem até a formação de uma organização internacional da vanguarda proletária, arma indispensável para a revolução da classe proletária.
6) Defender o papel dos Conselhos Operários como órgãos de poder proletário, assim como a autonomia da classe trabalhadora em relação a outras classes e segmentos de classes da sociedade.
Neste encontro foram pautadas as seguintes discussões:
1. O papel do proletariado e a sua situação atual, a correlação de força entre as classes;
2. A situação do capitalismo (no qual se desenvolvem as lutas atuais) e como reflexão mais global a decadência e/ou a crise estrutural do capitalismo;
3. A devastação do meio ambiente, acelerada sobremaneira pelo sistema capitalista, pondo em risco a existência de vida no planeta.
Este ponto não foi discutido durante o encontro por falta de tempo.
Ficou acordado que este tema será discutido através dos canais a serem criados na Internet.
Sobre o Ponto 1, Foram usados exemplos relativos à America Latina para ilustrar as análises sobre o estágio atual da luta de classes, porém a preocupação da maior parte das intervenções foi concebê-las como parte da situação geral do combate do proletariado em escala internacional. Dito isto, o Encontro decidiu expressar uma insistência particular na denuncia dos diferentes governos que se dizem de esquerda, que dirigem a maior parte dos países da América Latina, como inimigos mortais do proletariado e de sua luta; também decidiu denunciar aqueles que apóiam mesmo que “criticamente” esses governos. De igual maneira, o Encontro denunciou a criminalização das lutas dos trabalhadores por parte desses governos e postulou que a classe trabalhadora não pode ter ilusões com os métodos legalistas e democráticos e que esta só deve confiar em sua própria luta autônoma. Esta denuncia se aplica especialmente aos seguintes governos:
· Kirchner na Argentina,
· Morales na Bolívia, Lula no Brasil,
· Correa no Equador,
· Ortega na Nicarágua,
· e muito especialmente o governo de Chaves na Venezuela, cujo pretendido “socialismo do século XXI” não é outra coisa senão que uma enorme mentira destinada a controlar e a reprimir a luta do proletariado naquele país e enganar os trabalhadores dos demais países.
Sobre o ponto 2, todos os participantes concordaram sobre a gravidade da crise atual do capitalismo, a necessidade de compreendê-la mais profundamente desde uma perspectiva teórica e histórica.
Como conclusão, os participantes concordaram sobre os seguintes aspectos:
· A celebração do encontro constitui uma manifestação da tendência atual de desenvolvimento das lutas e da tomada de consciência revolucionária do proletariado em escala internacional;
· O agravamento considerável da atual crise do capitalismo não pode, ao final, mais do que reforçar a tendência ao desenvolvimento das lutas dos trabalhadores, fazendo cada vez mais necessária a defesa das posições revolucionárias dentro do proletariado;
· Neste sentido, todos os participantes acham necessária a continuação do esforço despendido na celebração deste Encontro com o objetivo de se constituir em uma parte ativa na luta do proletariado internacional;
De maneira concreta, como primeiro passo desse esforço, decidimos o seguinte:
1) A abertura de um site na Internet em língua espanhola e portuguesa, sob a responsabilidade coletiva dos grupos participantes do Encontro. Foi considerada também a possibilidade de publicar um folheto em língua espanhola, baseado no conteúdo do sitio na Internet.
2) A publicação nesse site:
· da presente tomada de posição (que será igualmente publicada no site dos grupos participantes),
· das contribuições que serviram de preparação para este encontro,
· de uma síntese das atas das diferentes discussões celebradas e de todas as contribuições dos grupos e elementos presentes assim como de todo outro grupo ou camarada que se reconheça nos princípios e preocupações que animaram o Encontro
Entre estas preocupações, o Encontro assinala muito especialmente a necessidade de um debate aberto e fraternal entre os revolucionários e rechaça todo tipo de sectarismo ou qualquer espírito de seita.